16 de fevereiro de 1991. Jonas Soares da Silva lembra exatamente o dia que começou a trabalhar na Vinheria Percussi como garçom.
Funcionário mais antigo da casa, Jonas viu muita coisa acontecer na Vinheria. E acompanhou todas as mudanças como ninguém. Quase duas décadas depois ele é o maître da casa, sempre com um sorriso estampado no rosto para receber clientes e ajudar a escolher vinhos.
Natural de Rui Barbosa, interior da Bahia, Jonas veio a São Paulo em 1986, aos 17 anos, para visitar parentes. E ficou. Começou como commis no restaurante Bom Beef, no shopping Eldorado.
Cinco anos depois viu um anúncio de jornal da Vinheria Percussi. O restaurante já estava no endereço atual, na Cônego Eugênio Leite, mas era completamente diferente. Jonas lembra das mesas mais despojadas, das toalhas e guardanapos de papel e dos copos de vidro. Nada a ver com as taças de cristal Riedel de hoje em dia.
Começou a trabalhar no dia da entrevista. “Só tinha um garçom naquela época. Estava muito corrido. Por isso fui ajudar na copa”, conta. Jonas trabalhou como garçom, com o clássico uniforme de “pinguim” por 10 anos. Nesse meio tempo viu tudo mudar: equipe, decoração, menu. “Tivemos hostess e até garçonetes”, lembra.
Sua opinião sobre vinho também mudou. “Antes eu nem bebia vinho. Mas não há como trabalhar na Vinheria sem se envolver com a bebida”, explica Jonas. Por isso ele participou de palestras, viajou para países produtores, fez aulas e degustou muitos rótulos.
Em 2001 fez curso de metria no SENAC e foi promovido a maître, posto que ocupa até hoje. Cabe a Jonas coordenar uma equipe de 10 garçons, receber clientes, cuidar para que tudo esteja tinindo no salão. É ele também quem aconselha sobre vinhos na ausência do Lamberto. “Todos os nossos garçons são qualificados para indicar a bebida, mas há clientes que fazem questão minha opinião”, fala com orgulho.
Nesses quase 20 anos de estrada na Vinheria, Jonas também viu mudanças no público que frequenta a casa: “Hoje em dia os clientes entendem muito mais de vinho e sabem o que querem. Mas ainda assim querem uma dica minha. E quando conheço bem a pessoa, sei exatamente o que indicar pelo seu gosto e por quanto ela gostaria de gastar.”
“Minha alegria é atender o público e ver a casa cheia”, diz. Sua única tristeza é na hora de pico, quando não consegue atender a todos os clientes.

